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13 de julho de 2013

A culpa foi da Escola, sim!



Estava olhando umas paradas minha aqui no barraco da Dona Ruth e encontrei algumas fotos e arquivos dum projeto que tinha no CAIC de Arapongas.

Parece demagogia, mas não é, pois eu chorei quando vi a foto dum menino promissor, porém não se tornou. A culpa foi de quem? Poderia enumerar vários culpados, começando pelo Estado que deu a família uma condição péssima de oportunidades, poderia culpar a própria família por não entender a importância da cultura, esporte, lazer e, poderia finalizar culpando, a Educação Escolar. Poderia, poderia, poderia.

Porém a maior culpada é a instituição escolar. Sim ela mesma, e sei que terei muitos “educadores” magoadinhos com minhas declarações, mas não estou aqui para agradar ninguém. A culpa é sim da Escola, através da direção e do corpo pedagógico.

Eu explico, antes que alguém sofre um infarto, e até para ter uma defesa, caso resolvam me processar. Está na moda. Ainda bem que temos um departamento jurídico, pelo menos para acompanhar nas audiências.

Esse menino vem de família problemática, digo problemática, pois é mais uma daquela que a sociedade emprega somente reproduzir e manter mão de obra barata e, também, serve simplesmente para ser mais um no cabresto dos currais eleitorais. Ele vem duma família que herdou uma “bagagem cultural” fraca e sem muito a acrescentar no desenvolvimento da prole.

Caberia então a Educação Escolar, “aparelho reprodutor do Estado”, a dar uma atenção especial, não oprimindo, obrigando-o a ser algo que não fazia parte de sua personalidade e até da própria cultura adquirida no seio da família. Porém, eu vi e registrei as pessoas preocupadas em reprimi-lo, obrigando-o a ser algo que não era e nem se preocupou em explorar seu potencial. Lembro que uma das “obrigações” desse menino promissor (mais a frente vocês entenderam, ou não, por que insisto dele ser promissor) era ter que cortar o cabelo, pois caso não cortasse, ele não poderia participar dos eventos que o projeto proporcionava.

Sim pessoas, a Escola não estava preocupada com o rendimento escolar, não estava preocupada no futuro. Ela julgava, mal conseguia ensinar as quatro operações básicas, mas era uma instituição preconceituosa, atentada com uma aparência sem precedentes. Esse menino era duma inteligência, ainda é, mas não a usa para o bem, porém era mais um pobre, filho da puta que estava ali para ser atendido pela esmola cedida pelo Estado.

O menino, não tinha um rendimento escolar, no qual não ajudaria aquele estabelecimento a obter notas excelentes nessas provas medíocres que não avaliam de forma correta. Mas ele tinha um dom de expressar através de desenho, onde também era mais um motivo de discriminação, pois segundo os “pedagogos” e entendidos em crianças, diziam que tinha um déficit de atenção e tais coisas não seriam necessário para seu aprendizado.

HOJE, chorei, me emocionei quando vi a foto daquele moleque cabeludo, parecendo um índio. E por quê? Hoje ele é um traficante, vive dando olé na polícia, sobrevivendo com o dinheiro dos viciados que também foram discriminados pelo fato de onde foi parido. Hoje os comunicadores dos programas policiais gritam, esbravejam ao noticiar sobre traficantes e usuários ,como se fossem os donos da verdade, mas esquecem de saber o contexto e o que levou tantos jovens para o caminho do crime.


Não estou justificando a criminalidade de ninguém, mas às vezes somos covardes, preconceituosos, julgamos e nem sabemos de nada. Mas se aqueles profissionais a serviço do Estado tivesse observado o lado criativo e explorado, talvez não teríamos perdido mais um jovem para o crime. 

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